Sobre os estados mentales «é galego» e «non é galego»

(Parafraseando e a partir de dous artigos de Paulo Gamalho).

Leamos al xeitín este texto* de Paulo Gamalho** comentando un artigo de Henrique Monteagudo titulado “A estandarización do galego” e permitide que vos invitemos a fer un xogo lingüístico: en lugar del Glotónimo GALEGO, onde se fale del colocade el Glotónimo “legal” GALEGO-ASTURIANO; e en lugar del Glotónimo PORTUGUÉS, colocade el de GALEGO.

“De todas as ideias expressas por Monteagudo, a que mais me impressionou, por ser o cerne da argumentação reintegracionista, é a seguinte: “Pero, en certo sentido, moi real, aprender portugués é (re)aprender galego, igual que aprender galego tamén é aprender portugués. Para quen escribe estas liñas, isto é evidente: a experiencia mostra que canto máis portugués aprendemos, máis recursos temos para mellorar o galego, individual e colectivamente. Na mesma liña, non cabe a dúbida de que o aproveitamento masivo e sistemático do léxico portugués é un recurso abundante, barato, acaído e sumamente eficaz para a modernización do galego, especialmente nos distintos ámbitos terminolóxicos.”

Não poderia concordar mais com o que foi exposto acima. É um dos principais argumentos que eu próprio utilizo para explicar os benefícios do reintegracismo. É importante ter em conta que este reaproveitamento acontece quando falamos de duas variedades do mesmo sistema linguístico. Não conheço nengum caso em que esta situação de reaproveitamento linguístico se materialize entre variedades de diferentes diassistemas. Quando isso ocorre entre línguas diferentes, falamos de interferências, empréstimos, contaminação, e não de reaproveitamento.

Digo isto porque uma linha depois, Monteagudo afirma: “Pero de aí a resignificar o portugués, europeo ou brasileiro, como galego internacional vai un longo treito, que non é doado que percorramos no futuro previsible.” Depois do dito anteriormente, onde se pressupõe que as duas variedades pertencem a um mesmo sistema, já agora parece que não são a mesma língua. É dizer, no mesmo parágrafo o autor afirma que o galego e o português são e não são a mesma língua, quebrando assim o princípio do Terceiro Excluído —para qualquer proposição, ou ela é verdadeira, ou a sua negação é verdadeira—, pois considera que ser e não ser a mesma língua são ambas as duas proposições verdadeiras. (…)

A esse nível, o galego e o português são duas variedades do mesmo sistema e reaproveitam-se mutuamente. É o que di Monteagudo na primeira parte da citação.

Um segundo nível situa-se na dimensão psicológica da língua, no estado mental dos e das falantes, na re-significação dos símbolos. Esta é a segunda parte da citação. A este segundo nível, de acordo com o autor, galego e português são e provavelmente serão para sempre línguas diferentes. Portanto, se o que pretendemos é re-significar o galego como sendo parte do diassistema português, é preciso de ajuda psicológica para mudar a consciência de cada indivíduo. Não é necessário um debate lingúístico nem político, mas um boa terapia psico-analítica em grande escala que mude o estado mental dos e das falantes.”

Asta aquí, fendo el cambio proposto al inicio deste texto, podemos preguntarnos: necesitaremos os individuos del Eo-Navia “ajuda psicológica” para resignificar a nosa variante dialectal como parte del diasistema galego-portugués?

Pero sigamos avanzando e leamos tamén este anaco dun outro artigo de Paulo Gamalho titulado “Sobre os estados mentais é português e não é português” e sigamos realizando el mesmo xogo lingüístico de intercambio de glotónimos:

“Pensemos em duas gémeas galegas totalmente idênticas, Ugia e Uxía, que receberam os mesmos inputs linguísticos ao longo da suas vidas e que produzem os mesmo outputs. Em consequência, além de serem fisicamente iguais, falam do mesmo jeito, com a mesma pronuncia, com as mesmas palavras e com a mesma combinatória sintática. A única diferença que existe entre elas é o significado que atribuem à palavra “galego” em referência à língua que falam. Ugia pensa que É PORTUGUÊS E Uxía que NÃO É PORTUGUÊS.

Devemos inferir que Ugia e Uxía falam línguas diferentes, mesmo se o output linguístico que produzem é idêntico? ou bem devemos deduzir que falam a mesma língua? Um/a funcionalista ortodoxo/a diria que as duas falam a mesma língua porque os seus estados mentais são idênticos: produzem o mesmo output a partir do mesmo input. (…) Ora bem, a partir do externalismo semântico, pode-se defender que as gémeas falam cousas diferentes porque há um factor externo de natureza sócio-cultural e política que fai com que o significado duma das palavras do seu código linguístico tenha elementos referenciais diferentes: o “galego” É PORTUGUÊS ou NÃO É PORTUGUÊS.

(…)

Permitide-me terminar a história de Ugia e Uxía como se fosse um Conto de fadas. A certa altura das suas vidas, Ugia e Uxía separam-se para exercerem atividades profissionais diferentes. Uxía arranja emprego como normalizadora da língua galega no Concelho de Vigo e promove um concurso literário para crianças em que participam os filhos e filhas doutras pessoas empenhadas genuinamente no uso do galego. Ugia, pola sua vez, chega a ser eurodiputada e fomenta uma norma para a euro-região Galiza-Norte de Portugal na que se regulamenta que o estudantado galego obterá o C1 de português ao finalizar o ensino obrigatório na Galiza e após um curso de três meses de adaptação, enquanto o estudantado português poderá obter o C1 de Galego (Celga 4) no fim dos estudos obrigatórios nos centros de ensino do norte de Portugal juntamente com um curso de adaptação de três meses. A regulamentação exigirá a incorporação progressiva do conhecimento do padrão português de Portugal nas escolas galegas, a fim de evitar a necessidade de cursos de adaptação no futuro e de implementar no médio prazo um único nível C2 galego-português reconhecido em toda a euro-região e expansível para toda a lusofonia.

Por vezes, nomear um estado mental como sendo A, em vez de não A, pode ajudar a desenvolver planos estratégicos que favoreçam toda uma comunidade de pessoas em territórios diversos. Se o nosso estado mental activa o rôtulo É PORTUGUÊS, temos um grande abano de atividades a promover, mas se ainda ficamos no estado NÃO É PORTUGUÊS, talvez continuemos a reduzir em boucle a comunidade de utentes e activistas linguísticos num contexto minorizado, onde o estado mental geral na Galiza É (e será cada vez mais) CASTELHANO.”

Entón… que tal se reactivamos el noso estado mental coel rótulo “El galego-asturiano é galego ? Non teremos aberto así un abanico de posibilidades das que hoxe carecemos? Non evitaríamos caer nun estado mental nel Eo-Navia onde el rótulo tristemente seña xa “é castellano” ou “é asturianu”?

Tan fácil como eso.

* El artigo en cuestión titúlase: «Leitura construtiva do artigo de H. Monteagudo A estandarización do galego» , 11-2-26.

**Paulo Gamalho é catedrático de Lingüística Geral na Universidade de Santiago de Compostela, especializado en lingüística computacional e adscrito al CITIUS (Centro Singular de Investigação em Tecnologias Inteligentes).

Comparte

Deja un comentario

Tu dirección de correo electrónico no será publicada. Los campos obligatorios están marcados con *

Resumen de privacidá

Esta web utiliza cookies pra que podamos ofrecerche a millor experiencia de usuario posible. A información das cookies  queda guardada nel tou navegador e realiza funciois de xeito que permiten reconocerte condo volves a nosa web e axudar al noso equipo a comprender qué seciois da web atopas máis interesantes ou útiles.